Digital Group marca presença no ProXXIma 2015, em São Paulo
Primeiro dia é sempre a mesma coisa: todo mundo meio atordoado. É a hora de fazer o cadastramento (que foi super-rápido), pegar brindes, ficar com cara de perdido e fazer networking. O evento é de fato surpreendente. A nona edição do ProXXIma teve um formato diferente das anteriores e uniu seminários, expositores, praça de alimentação e feira. O resultado disso? Um evento com mais interação entre os participantes, uma vez que ninguém precisava sair do local.
Palestra é sempre uma loteria. Algumas não trazem nenhuma novidade, nada que acrescente no seu conhecimento. E lá não foi diferente: algumas foram repetições de conceitos que todo mundo já conhece. Um amigo me disse que, nós, de agência, somos difíceis de surpreender, por estarmos sempre ligados e conectados. Mas, por se tratar de um evento para nós, de agência, eles podiam ter rebolado um pouco mais para inovar e se tornar relevantes. Porém, como toda regra, tivemos ótimas exceções, com debates e seminários bem legais. 
A Globo apresentou, via Globosat, a GlobosatPlay, que nada mais é que um canal para ver na web o que eles passam nas TVs. Eles fizeram palestra que eu jurava que ia ser o máximo, afinal, foi apresentada pelo Marcelo Tas e pelo Ceará, (que sequer decorou o texto e ficou lendo as piadas), mas não surpreendeu. O Facebook, que poderia inovar, trouxe um cara para fazer um rap explicando o Facebook. Mais uma vez mambembe e chatoooo.
Ok, nem tudo foi ruim. Ao final do primeiro dia, tivemos duas palestras incríveis. Uma de um cara que era uma máquina de falar: Kodi Foster, da Outbrain. A palestra foi muito legal, apesar de eu ter discordado de muitas posições dele. Depois, veio o canadense Joe Strolz, da Aol (American OnLine). Strolz contou a história do provedor e sobre conteúdo como forma de receita. Ele mandou muito bem. Segundo ele, para fazer conteúdo que valha dinheiro, é preciso repensar nossos conceitos – e foi o que ele fez.
Segundo dia, primeira mesa de debates e uma má notícia: os velhos e os engomadinhos continuam no poder. Um deles disse que “o digital não é mais coisas de geeks ou nerds”. Todos tentaram achatar e reduzir o digital para caber no mundo de conceitos que eles defendem. Não surpreende que a interlocução de alguns clientes (não os nossos, claro) seja muito complicada. É a velha guarda sempre tentando repetir valores e fórmulas antigas, sem se adaptar à nova realidade. E, pra ser sincero, acho que eles nem percebem isso. É… acho que não vai rolar.
Na sequência, falamos em Programatic, que é a junção de tecnologia e processos que facilita e automatiza a compra e venda anúncios online. Ou seja, é uma maneira programada de anunciar de forma mais otimizada e eficaz, uma vez que o publisher consegue analisar mais informações sobre os anúncios e o publico, direcionando melhor as vendas e aumentando a receita. Segundo Pyr Marcondes, da Meio & Mensagem, a indústria está apenas começando a tatear esse novo processo, apesar dele nem ser mais tão novidade assim.
Ainda sobre Programatic, Eduardo Tracanella, do Itaú, falou uma coisa interessante: o conceito é bom, mas é racional. Ou seja, dependemos dos criativos para fazer o encantamento – o não racional. A utilização da ferramenta é só otimização de verba, que além de não construir, ainda pode estragar a imagem da marca. Por isso, o conteúdo é o que importa. Precisamos surpreender as pessoas e não só alcançá-las. Não é um problema de mídia, mas sim, de estratégia. Não é só vender, é convencer. É criar reputação para a marca.
Aí foi a vez do Marco Luque… Pera… Não foi fazer palestra, foi fazer jabá… Pera, tá chato… Pera, tá legal… Pera… Caramba, foi a melhor apresentação de produto que rolou. Valeu o evento, convenceu! Saiu por cima da função difícil que deram pra ele. Aí passaram um vídeo do produto. Deu certo, plateia fixada. Voltou o personagem motoboy dele e todo mundo rolou de rir. Resultado: acharam o jeito certo. Eu amo esse pessoal da ExtendTV, mano!
O PJ Pereira, da Pereira & O’Dell, arrebentou a boca do balão. E foi assertivo ao afirmar que a criatividade é que será o grande diferencial no mundo digital. Cada vez mais e de um jeito mais esquisito. Mas, segundo ele, o mundo vai continuar mundo. Os clientes criativos cativando, ganhando espaço e construindo grandes marcas. E os outros gastando os tubos para tentar alcançar o mesmo impacto promocional, sem a construção da marca. Segundo ele, afinidade, empatia e identidade da marca são tudo a partir de agora. Além disso, ele apresentou vários cases legais, em formatos diferentes do usual, incluindo uma web novela para a Coca-Cola na América Latina.
ProXXIma 2015
A estrutura do local foi inovadora e modernosa, parecia até um iglu gigante – aliás, o frio também era ártico, o que me fez com que eu me arrependesse amargamente de não ter levado casaco. O evento fez um aplicativo simplesmente mara. Muito funcional! Além disso, pude experimentar um esquema 3D, em que você usa um fone e um óculos com visor para assistir uma animação de montanha russa. Você fica enlouquecido, se segurando para lá e pra cá, com a certeza de que está no carrinho de verdade. A brincadeira foi do Grupo NZN, do nosso amigo Marcelo Bressan.
Foco no conteúdo
Uma coisa que me saltou aos olhos foi a importância do conteúdo, a necessidade das marcas em gerar conteúdo para o público e até essa possibilidade de deixar de ser uma fonte de custos para ser uma fonte de receita, já que o Youtube, por exemplo paga pela audiência do seu vídeo. Mas isso será para poucos, pois, segundo eles, não existem muitos Red Bulls pelo mundo.
Por falar em Red Bull, os caras já tiveram mais de um bilhão de views no seu canal. Hoje, eles produzem 70% dos seus vídeos para branded content (quando a marca produz um conteúdo útil e/ou divertido, e faz alguma ligação com sua proposta de identidade). Ou seja, mas 30% do que eles fazem não tem absolutamente nada a ver com a marca. Com isso, eles já se enxergam mais como uma marca de geração de conteúdo que possui um energético que o contrário e que, no futuro, eles serão uma produtora de conteúdo, e esse será o principal business core da empresa. Tudo isso para criar identidade entre marcas e consumidores.


